quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nevoeiro

Que se cessem então os passos dela. Por entre o nevoeiro, de nada lhe vale ir no centro da estrada a tentar sem qualquer tentativa, seguir a vida. Ou essa coisa de estar vivo a que toda a gente se subjuga, com razão incontestável por quem quer que seja. Pois que somos todos vivos, internos. Uns mais, outros menos. Uns mais perto, outros mais longe.
Que importa...
E que importa a arte de bem escrever e de saber desenhar as palavras, se o que ela quer dizer de mais sincero, seriam os outros que lho poderiam dizer, para se fazer ouvir?
Mas nunca são. Nem a música na rádio. Nem a carta que recebeu no fim do Verão. Nem tão pouco a espera do outro dia; Muito menos essa! Nem nada.
Que importa que se importe pelo facto de não se importar? E de trazer dos outros consigo, cada um como um só, se a troca não foi merecida por ninguém?
Que é que interessa ver o que se quer perder ou o que não se pode ganhar?
De que vale a sua razão, se vê só de olhar, que de razoável as pessoas têm tão pouco?
Ser-se razoável, não é ser-se correcto sob o ponto de vista geral e educado da bondade. ( Como se educação e generalidade pudessem seguir o mesmo caminho...! ) É ser-se íntegro pela parte, consciente do todo.
Morra a bondade sem intenção genuína!
De que lhe adianta estar a cima, e não ser maior que ninguém? E ainda assim cair de mais alto (?) De que lhe adianta nem querer tal ausência de chão que adormece o momento da queda?
De tanto e tão pouco...
Poder e não ter..., ter e não poder?
E para que serve tanto ponto de interrogação, se a base de tais interrogações é o tão concludente e redondo ponto final?
Ela sabia... E para que sabia ela?
Se poder ser-se livre, significa no meio do peito um amontoado de silvas, relva e casebres selvagens... sem ecos de vozes presentes, para que servem então as paredes?
Que se lixem todos os idiotas que procuram sentir-se bem a ler coisas bonitas. Que se lixem então todos os estetas que procuram as soluções brilhantemente metódicas.
Brilhante é o Sol. E o de Inverno não brilha nem aquece.
Sintam então a pálida atmosfera de quem não sabe mais o que fazer com o esgoto humano.
O autoclismo nem de ilusão se trata...
Para quê saneamento, se o nariz é a feição mais intrometida, quer por jeito, quer por cobardia?
Portanto, cheirem!
Cheirem directamente do rabo de quem invejam! De quem não querem fugir! De quem querem as calças! Mas, cheirem!

A pedido. Dela.
Cheirem, e deixem-se de coisas bonitas para aquecer a alma...
Ela, é só ela. Com o que teve e não teve.
E que se foda tal diferenciação.
E que se foda... Sim.
Que se foda.

2 comentários:

João Ricardo disse...

Ui!! Senti força nestas palavras ;)... Fizeste-me lembrar esta Senhora: http://www.youtube.com/watch?v=G-SHAak_stc :D

daniela gomes disse...

e lá se vai o nevoeiro. genial. como sempre :)